quarta-feira, 10 de novembro de 2010

Dores de Amores, Fenômeno Teatral dos Anos 80, Ganhará as Telonas

E Tropa de Elite 2 causou seus primeiro reflexo no mercado cinematográfico. Roberto Talma, diretor de um monte de novelas e seriados, acredita que o Capitão Nascimento provou que existe sim público para o cinema nacional. E iniciou um projeto para a produção de filmes em larga escala. Mais exatamente, serão seis longas prontos em 42 meses. O projeto, pelo visto, vai ser sustentado por textos já consagrados. Dos filmes revelados, três são adaptações de peças teatrai e um de um livro. 

Um deles é a adaptação cinematográfica da peça Dores de Amores. Escrito por Leo Lama, filho de Plínio Marcos, foi encenada, pela primeira vez, no fim dos anos 80. Malu Mader e Taumaturgo Ferreira deram vida ao casal protagonista que após uma mal-sucedida transa, iniciam uma discussão de relacionamento. Na DR, os papéis se invertem. Ele tem uma "crise de macho" e ela percebe o novo papel da mulher no mundo contemporâneo e nos relacionamentos. Na época foi um estouro de bilheteria, uma sensação. De acordo com o próprio Lama, "a Malu Mader era quase uma Beatle, não podia sair na rua". 

Dores de Amores parece se tratar, então, de uma tentativa de levar um sucesso teatral aos cinemas, coisa que a gente sabe, nem sempre dá certo. Será dirigido por Raphael Vieira, filho de Talma, em sua estreia. Mas ele tem experiência. Já foi assistente de direção de obras como Meu Nome é Dindi. Aqui  tem um blog da produção. Em seu texto de apresentação, há o seguinte trecho: "Na contramão dos filmes de favela e violência, Dores de Amores chama a atenção para o desequilíbrio....". Esse afirmção de  que filme brasileiro é só favela e violência - como se isso fosse uma verdade absoluta e, mesmo se fosse, ruim para a produção cinematográfica - me dá uma preguiça monstruosa. No filme, Milhem Cortaz deve ser uma das metades do casal.

Nos próximos posts, um pouco mais sobre os outros filmes.

terça-feira, 9 de novembro de 2010

Billi Pig: Belmonte para o Grande Público?

Ao que parece, o cineasta José Eduardo Belmonte está convencido a rechear seu novo filme, Billi Pig, com gente conhecida do grande público. Já escalou Selton Mello, o talentoso onipresente do cinema nacional, e Grazi Massafera, a ex-miss, ex-BBB e atual atriz. Milton Gonçalves também está no meio.

Hoje, mais um nome foi anunciado. É o da showwoman Preta Gil. Segundo Mônica Bérgamo, da Folha, a herdeira mais comentada de Gilberto Gil fará uma participação como a dona de uma funerária. Não vamos julgar a escolha antes de assistir ao filme certo. Mas todo mundo se lembra da performance de Preta se desvencilhando de dinossauros no X-Men brazuca da Record?

Mas Gil não fará um papel central. O filme é focado no trio Massafera, Mello e Gonçalves. A loira fará uma aspirante a atriz que faz terapia com seu porquinho de pelúcia. Mello será seu marido, um homem que faz de tudo para vê-la feliz. Gonçalves será um padre atormentado por seu passado. A história começa quando os três prometem salvar a vida da filha de um traficante em troca de dinheiro.

Segundo Ronaldo D'Oxum, que escreveu o filme ao lado de Belmonte, trata-se de uma comédia escrachada. É já teve sua distribuição fechada com a Imagem Filmes.

Daí, me pergunto? Será Billi Pig um Belmonte para o grande público? Seus filmes anteriores, Se Nada Mais Der Certo, Meu Mundo em Perigo e A Concepção, nunca foram tratados como grandes lançamentos. Fizeram sucesso em festivais, mas quando chegaram ao circuito comercial (não tenho certeza se Meu Mundo em Perigo chegou), foram exibidos em poucas salas e não atraíram um grande público, além daquele que já conhece o trabalho de Belmonte ou conhece o próprio cinema nacional.

O que não deixa de ser uma injustiça porque, apesar de alguns temas pesados, as obras de Belmonte são bem estruturadas e, com a divulgação certa, poderiam atrair além de um nicho específico. Veja A Concepção para comprovar. Um filmaço, difícil por seu tema, mas nunca inacessível, principalmente pela narrativa fluida que o diretor propõe.

Billi Pig, no fim das contas, me enche de expectativas para um cinema popular de qualidade.

segunda-feira, 8 de novembro de 2010

Há Algo de Novo no Cinema Brasileiro

Revista Veja desta semana. Wagner Moura, ou melhor, Capitão Nascimento na capa. A manchete: "O primeiro super-herói brasileiro".

E, muitos dias após seu lançamento, Tropa de Elite 2 continua a lotar os cinemas.

Semana passada. A Imagem Filmes faz uma espécie de convenção para divulgar seus lançamentos de 2011. Os jornalistas presentes notaram um toque de Hollywood no evento. Uma maior percepção de um mercado cinematográfico.

Na convenção, nenhuma sequência, nenhuma adaptação de seriado global. Uma das maiores apostas da empresa é uma mistura entre animação e live-action.

Mês passado, sala de cinema do Pátio Savassi em Belo Horizonte. Cinema de shopping com tudo que o caracteriza. Pipocas sendo mastigadas. Conversas paralelas. Toques bizarros de alguns celulares. Antes da sessão, os trailers. Entre os quatro exibidos, dois são de filmes brasileiros. Muita Calma Nessa Hora e De Pernas Para o Ar. São eles que causam as reações mais expressivas do público.

Neste ano, o número de espectadores do cinema brasileiro bateu o número do ano passado. Que já tinha batido o do ano anterior. Tudo bem, a maior fatia desses públicos se concentram em poucos filmes. Mas é algo para uma discussão futura.

Há algo de novo acontecendo no cinema brasileiro. E espero acompanhar de perto.